16 de mai de 2015

A escola do meu filho está em greve, e agora?


Já são mais de dois meses em greve, tentando fazer com que o governo reconheça a necessidade de mudanças estruturais e importantes em nossas escolas. Certamente que a greve não é desejada e nem querida por nós. Não queremos a greve. Não gostamos dela. Mas também não queremos seguir em frente com as coisas da forma que estão. Se não conseguimos exigir que o governo atenda as nossas reivindicações de outra forma, não nos resta outra opção se não cruzar os braços, infelizmente.
Então o governador usa os canais de televisão para dizer que a greve é pequena, que tem interesses partidários, que é insignificante e que não é justa. Nós, sem espaço na mídia, provamos o contrário nas dez assembleias estaduais realizadas ao final de cada semana, quando ocupamos as ruas com milhares e milhares de professores.
Mas hoje não estou aqui para me manifestar como professora. Hoje quem escreve é a mãe de um aluno de escola estadual.
Sim, por uma questão de princípios, sempre mantive meus filhos na rede pública. Um deles já concluiu a educação básica, mas o outro ainda está no ensino fundamental, numa escola parcialmente paralisada há dois meses. Das trinta aulas que deveria ter por semana, meu filho tem apenas seis. Na condição de mãe, muito me chateia ver onde as coisas chegaram.
Todo cidadão, por mais simples e humilde que seja, sabe da importância da educação para a sociedade. Todos os políticos, quando se candidatam, preenchem os seus discursos com falácias sobre a educação, prometendo tratá-la como prioridade. Todos os eleitores, independente de partido e visão política, também defendem a educação como um ponto fundamental para o avanço social.
                Então, de repente, surgem milhares de professores em greve, gritando e clamando por mudanças urgentes. Se eles, os professores, estão dizendo que as coisas não podem ficar do jeito que estão, o meu papel de mãe e de cidadã é apoiar e engrossar o movimento. Então preciso reconhecer que o meu filho está sem aulas neste momento, mas é para que a escola se torne um lugar melhor quando retornarem. Além disso, também preciso compreender que os professores, agindo dessa maneira, também estão ensinando muitas coisas ao meu filho, pois não quero que ele se torne um adulto despolitizado, manipulado e flexível. Meu filho precisa crescer entendendo que os interesses do povo devem ser a prioridade de qualquer governante e que, quando isso não acontecer, o povo não deve se manter em silêncio, não deve aceitar, não deve apenas seguir adiante como se nada tivesse acontecendo.
                Na condição de mãe, vejo o governador garantindo que os professores ganham muito bem, e que são apenas alguns poucos que estão em greve. Mas também vejo os professores postando nas redes sociais os seus holerites, desmentindo o que é dito. Vejo que meu filho não tem aula. Vejo que há professores acampados na Praça da República desde março, clamando por visibilidade e atendimento. Vejo que os grevistas precisaram de dois meses para receber a primeira proposta de negociação do governo, depois de fechar avenidas por nove semanas consecutivas. Vejo também as imagens das assembleias semanais, com toda aquela multidão caminhando e pedindo negociação.
                O mesmo governador que prometeu que não ia faltar água, está agora afirmando que a greve é minúscula. O mesmo governador que aumentou 30% do próprio salário em janeiro, está agora afirmando que os professores não merecem aumento.

Eu sou mãe, estou vendo as coisas.
Eu sou mãe, e exijo uma escola cada vez melhor para meu filho.
Eu sou mãe, e não consigo entender porque ainda há professores que não aderiram à greve.
Eu sou mãe, e apoio a luta dos professores.



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