1 de mai de 2011

PROGRESSÃO CONTINUADA - MAIS DO MESMO?

Quem é da rede sabe muito bem que nas últimas semanas dedicamos muito do nosso precioso tempo aos debates sobre reformulação da proposta da pasta.
Não estou reclamando, apenas comentando.
Num país que se entitula democrático, nada mais justo do que comemaçar a estruturar as mudanças a partir da opinião dos envolvidos.

Na região onde trabalho, três debates aconteceram quase ao mesmo tempo com a equipe escolar, a pedido da S.E.E.:
1) Plano de carreira - documento elaborado e enviado à Diretoria de Ensino;
2) O que está dando certo e o que precisa melhorar? - encontro de pólo com o Secretário da Educação;
3) Progressão continuada - documento elaborado e enviado à Diretoria de Ensino.
  



Os assuntos são infinitos, as opiniões muitas vezes diferem.
É uma falácia necessária, mas sem fim.

Só quero registrar aqui a minha opinião em alguns aspectos:

1) Progressão continuada: não sou contra a progressão e concordo com o Prof. Palma quando defende a necessidade de um reforço de qualidade. O que me preocupa são inúmeros alunos de 8º e 9º ano que chegaram até aqui sem aprender muita coisa. Alguns mal sabem ler. Mas muitos, muitos mesmo, têm cultura de progressão automática em seus hábitos, e simplesmente recusam-se a aprender, recusam-se a ouvir, recusam-se a abrir o caderno. Importante deixar claro que não são poucos e que, infelizmente, estão se propagando. Se for um aluno já repetente de 9º ano então, piorou: ele sabe que não será mais reprovado, que basta frequentar a escola.
Gente, isso é tão sério, mas tão sério... Por que niguém toca no assunto?
As aulas de reforço servirão de alguma coisa pra essa "turminha"?
Já temos aulas de recuperação na escola há anos, e esse tipo de aluno não vai, não participa.
E no final do ano lá vão eles, pro Ensino Médio.
A S.E.E. precisa reconhecer que temos uma pequena parcela de alunos com dificuldade de aprendizagem e uma outra, bem maior, de alunos (e suas respectivas famílias) que não dão a menor importância para a escola.
Sabemos que nos países europeus a progressão continuada deu certo porque a família sempre exerceu seu papel complementar junto à educação dos filhos, mas também sabemos que no Brasil isso não ocorreu.
NÃO PODEMOS SEGUIR ADIANTE FINGINDO QUE ESTÁ TUDO BEM.


2) Recuperação paralela ou reforço:  não vejo a menor possibilidade de aplicar nenhuma das sugestões do Prof. Palma. Não há espaço físico para o contraturno. No caso das atividades diversificadas, eu arrisco uma pergunta: se os professores estarão ocupados com aulas de recuperação aos que precisam, quem acompanhará os outros alunos nos tais museus e parques?
A escola onde eu trabalho tem em torno de mil alunos de ciclo II. Vamos supor que trezentos fiquem de recuperação. Parem pra fazer a conta! Ônibus, lanches, recursos humanos...
Isso sem falar na superlotação de museus e parques nos períodos de final de bimestre. Seria uma briga pra conseguir um agendamento. Melhor esquecer isso...
Quem sabe um ajustamento para criar uma 7ª aula, onde seria feita a recuperação. Não é o ideal, mas é possível.

3) Os ciclos: manter a etapa final com o ciclo de quatro anos não muda nada. Vamos continuar recebendo alunos pré-silábicos no 6º ano e ficar "sambando" com eles até que sigam para o Ensino Médio.  Aliás, será que a S.E.E. sabe que há alguns anos as escola de ciclo I estão encaminhando alunos para o ciclo II nessa situação? Aí o garoto muda de escola, passa a ter nove matérias, a ainda nem aprendeu a ler e escrever. Fica numa sala heterogênea, com nove professores que não são formados e nem capacitados para alfabetização. E segue o enterro. Quando chegar no 9º ano ele reprova e posteriormente segue adiante.
Em 2.009 chegaram dezenove alunos nessa situação na escola onde eu trabalho. Apenas dois deles tinham feito o 5º ano duas vezes. Hoje estão no 8º ano, mas com uma defasagem assustadora.

Todas as alterações propostas podem não afetar em nada situações como esta. Vamos evitar que este engano seja cometido.


Grata.




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