7 de fev de 2010

VIOLÊNCIA NA ESCOLA



Se hoje temos uma escola com mais violência, é porque a sociedade está mais violenta. Uma boa mistura de exclusão social com impunidade nos fez chegar onde chegamos, tudo isso temperado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela desvalorização dos profissionais da educação.
Ou seja, mais um problema social que a escola precisa resolver. E não adianta: se não começar pela escola, nunca será resolvido. Mas se ficar tentando sozinha, a escola não vai conseguir fazer nada. Não daremos um único passo adiante. E por favor não me classifiquem como cética, sou apenas realista.
Quem não tem na escola aquele garoto (ou garota) extremamente difícil, que resolve todos os problemas com violência física, e que acha muito bacana falar que é bandido e perigoso? Eu tenho dezenas deles. Seria bastante possível ajustar este tipo de comportamento se os pais e mães destes alunos não  agissem  exatamente da mesma maneira em suas vidas. Não é um problema simples de se resolvido. Mas juro: quando preciso intervir na briga entre duas mães de alunos, a sensação de impotência toma conta de mim. Mais triste ainda é quando a mãe do aluno ameaça diretamente a diretora, pois parou de receber o bolsa família (sim, optei por minúsculas) e exige que algo seja feito imediatamente.
Tantos outros exemplos eu poderia usar aqui, mas não acho necessário.  Todos já perceberam que a situação está insustentável e que precisa de intervenção.

No ano passado a rede estadual criou o Sistema de Proteção Escolar: um sistema on-line para o diretor registrar as ocorrências individualmente e um manual com Normas Gerais de Conduta Escolar. Na minha opinião, um excelente primeiro passo, mas precisa de ajustes. Inicialmente, é preciso ficar claro que, se eu for registrar todas as ocorrências, não vai me sobrar muito tempo para outras tarefas (e não estou exagerando); o sistema é lento e as ocorrências sao inúmeras. Com relação ao manual de condutas, particulamente eu achei ótimo; um apoio para aqueles que ainda tinham uma interpretação libertina do ECA. Sei que muitos colegas são contra, mas discordo das razões libertárias que defendem porque acredito que a liberdade deve ser exercitada a partir da ética e do respeito. Neste momento,  com os alunos que temos, uma utopia.

Esta semana, em discurso no Palácio dos Bandeirantes, Paulo Renato anunciou a contratação de profissionais para as escolas: “serão equipes de psicólogos, professores e assistentes sociais que possam intervir na mediação de conflitos”. Afimou que estas equipes devem começar a trabalhar em março (confesso que o "devem" estampado no texto me preocupa um pouco). Vamos aguardar que aconteça. Com certeza, será um grande avanço.

No senado (sim, optei por minúsculas outra vez) dois projetos de lei já tiveram voto favorável pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte. O primeiro é o PLS 191/09 do senador Paulo Paim (PT-RS), que determina o atendimento e a proteção o professor agredido, bem como as providências contra o aluno agressor. O segundo é o PLS 251/09 da senadora Marisa Serrano (PSDB-PR) que prevê a implantação de um serviço de monitoramento escolar, que na minha opinião é bastante parecido com o que já contamos na rede estadual, Sistema de Proteção Escolar - que na verdade é uma sistemática existente nos Estado Unidos desde a década de 80. Na câmara, há o PL 2969/09 do Deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que prevê detenção de um a quatro anos para os casos de agressão física contra educadores– nos casos de agressão moral, haverá multa ou detenção de três a nove meses de prisão.

Não acredito que o caminho esteja na criação de novas leis. Já temos várias delas. Nossa grande dificuldade está em fazer cumprí-las no país da impunidade. De qualquer forma, muito nobre a preocupação dos senadores e do deputado. Mas, por enquanto, ficamos assim. Seguiremos nossa rotina. 
Até quando? Não sei.

2 comentários:

Fatima Cardoso disse...

Nossa,me parece que todo mundo está preocupado com a violência nas escolas públicas ,incluindo-se aqui ...senadores,vereadores...etc...
e nós professores? estamos?o que fizemos em prol da diminuição da violência escolar?
Agora psicólogos,e outros serão encaminhados as esolas para ajudar a Direção no combate a Violência.nos precisamos de professores mais bem equipados em suas mentes e educadores com maior sabedoria a contar com seus melhores salários,talvez esta violência principia amenizada.
abraços...
Fatima

Anônimo disse...

Em algum destes projetos foi proposto incluir o professor que fizer uso deles no serviço de proteção a testemunha? O que acontece depois que o agressor for soltom considerando-se que tenha sido detido, claro.