15 de jan de 2010

UM DIA COMUM

Terça-feira, 20/06/06, 7h02min.
Consigo entrar na escola depois de quase atear fogo no motor do portão certa dificuldade com o portão automatizado (?) do estacionamento.
Na sala dos professores, uma funcionária me recebe dizendo: “só faltaram quatro, mas temos eventuais para todas as salas”. Então desejo um bom dia e um bom trabalho a todos (com poucas respostas) e avanço pelas escadas, para acompanhar a entrada dos alunos que ocorre com relativa tranquilidade.
Vou para a minha sala na intenção de telefonar para o rapaz que faz a manutenção do tal portão e, ao chegar no térreo, me deparo com mais de vinte alunos que chegaram com atraso. Depois de uma conversa com o grupo e telefonemas para algumas mães, todos vão, finalmente, para as salas de aula (já são quase 8h!).
Preciso concluir ainda pela manhã a verificação dos documentos da remoção dos docentes, para então poder subir após o intervalo e observar os painéis confeccionados pelos alunos a respeito dos países da Copa do Mundo. Hoje à tarde eu não trabalho, volto só à noite - e já reservei o noturno para olhar umas provas e montar um processo de prestação de contas. Minha agenda não me deixa esquecer.
E então começo a conferência da contagem, dentre a inúmeras interrupções: duas mães de alunos (uma reclamando de um professor que falta demais e outra informando que o filho está doente), vários alunos pedindo material para concluir os painéis, três alunos encaminhados por questões disciplinares, dois pedidos de transferência e um de matrícula e a secretária da escola algumas vezes, para esclarecimento de dúvidas. 
Às 8h40min eu já não vejo a hora da vice-diretora chegar (o horário dela hoje é às 9h), para que possa colaborar com aquilo tudo.
Às 10h, mesmo sem concluir a contagem, subo para analisar os painéis. Fico muito satisfeita com o aspecto estético, mas me chateio ao perceber que, em alguns casos, não passou disso, ou seja, exposição sem aprendizagem, apenas reprodução. Preciso conversar com os professores...
Volto para minha sala (aqueles papéis continuam na minha mesa!) e dou de cara com a supervisora, que disse ter vindo verificar algumas coisas, e que prefere começar pela cozinha/dispensa. Peço à vice que a acompanhe então, enquanto vou separar alguns prontuários de alunos para que a supervisora possa validar a lauda de concluintes que está atrasada.
Olho no relógio e quase desmaio: 11h,  meu horário de ir embora. Saio correndo, para buscar filhos na escola. E que 'nossa senhora do portão automatizado' me ajude. Dentro carro eu fico lembrando daquela montanha em cima da minha mesa, e então decido que voltarei pra escola logo após o almoço, e não às 19h. Saibam que eu sofro com papéis acumulados na mesa. Costumo alertar os colegas que o mundo não vai acabar nem em água nem em fogo: vai acabar em papel! E não há dúvidas de que vai começar pela minha mesa. Pouco depois das 12h eu consigo retornar. Sou uma mulher de sorte, meus filhos adoram macarrão instantâneo.
Concluo os trabalhos com a supervisora: conversamos sobre vários assuntos importantes, ratificamos dezenas de laudas de concluintes e, perto das 14h ela se foi, deixando algumas orientações.
São quase 18h e eu consegui terminar a tal conferência, então decidi subir para dar uma olhada nas salas de aula, já que hoje ainda não tinha colocado “o nariz pra fora” no período da tarde. Quando me dou conta, já é o sinal da saída, e eles e então se jogam nos corredores, com muita pressa de ir embora.
Já bastante cansada faço a entrada do período noturno com metade dos professores ausentes. E dá-lhe eventual!!! Então chamo o coordenador para que, juntos, analisemos as matrizes de provas bimestrais que os professores entregaram. No meio do trabalho, recebemos o pai de um aluno em tratamento psiquiátrico em virtude de dependência química.
Às 22h decido ir embora, muito cansada. E vou, com a sensação de que amanhã preciso trabalhar mais para poder dar conta de tudo e tentar cumprir as coisas que planejei para a semana. Minha agenda até que está organizada, o difícil é lidar com as surpresas...
No caminho de casa me lembro: não solicitei o conserto do portão e não montei o processo de prestação de contas. Tudo bem, amanhã eu resolvo isso.

5 comentários:

Daniela disse...

Oi professora. Fui sua aluna no Anhembi e acho que entendo um pouco do que escreveu. Minha família tem uma padaria que funcina 24 horas e todo santo dia tenho uma luta diária a começar por encontrar uma vaga para estacionar o meu carro na frente da padaria, uma vez que, todos os meus queridos vizinhos de comércio optam por estacionarem seus carros em minha porta, deixando assim livre as suas próprias vagas para que seus clientes estacionem com conforto e sem ter que procurar onde parar. Em seguida tenho que verificar se todos os funcionários vieram trabalhar, se estão de uniformes, se há mercadorias em diversos segmentos, tanto os que são produzidos pela padaria como os que compro de alguns fornecedores como refrigerantes, frios, sorvetes entre muitos outros itens. Antes de entrar na minha sala e começar a batalha também com os zilhões de papéis como boletos, holerites, fechamentos de caixas (afinal sao tres turnos!) etc etc etc, tenho que verificar se todos os funcionários estão vivos, se não brigaram e nem discutiram por alguma bobeira. E muitas vezes também lido com os "portoes automaticos" como sistemas de geladeiras que pára repentinamente de funcionar, ainda que faça mensalemnte a manutenção, ou o caminhão de lenha que não veio entregar ou o computador que desligou sozinho e não quer mais ligar, mesmo sabendo que isso se dá devido a perna da fuincionária que opra o caixa que insite em ficar encostada no respiro do computador, impedindo assim a ventuinha de funcionar. E isso é só um dia comum... rsrs

Rosana disse...

Parece que tô te vendo falar, quem te conhece sabe como seu vocabulário ao escrever imprime seu jeito... irreverente, irônico e muitas vezes sarcástico... tudo isso com uma veia cômica marravilhosa... continue tá muito legal....
Beijão
Saudade

Rosana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Querida, você está mais para heroína do que "ser normal". Por favor, se "manque" e deixe de dar uma de SOU A MAIS PERFEITA E TRABALHADORA DO MUNDO E OS PROFESSORES SÃO UNS IRRESPONSÁVEIS. Parece que está em um nível acima com estes comentários. Você não tem poder sobre a classe de professores querida...

Hélida disse...

Não me incomoda a crítica. Mas o anonimato me causa náuseas.