19 de jan de 2010

PROFESSOR, POSSO FAZER NO COMPUTADOR?

A reportagem fomenta a reflexão sobre um grande dilema do professor contemporâneo: aceitar ou não que os trabalhos sejam feitos no computador? Com certeza todos nós já nos deparamos com a questão e temos opinião (mesmo que provisória) sobre o assunto.
A matéria é boa, apresenta os dois lados da questão: a necessidade que o aluno desenvolva boa caligrafia e a necessidade da escola não parar no tempo, negando os avanços tecnológicos. 
Muito bem.  Isso nos remete a uma série de argumentações teórico-pedagógicas.

Só devemos ter o cuidado de não entrar nesse debate sem levar em consideração as questões morais e éticas envolvidas: quem me garante que aquele trabalho feito no computador foi realmente feito pelo aluno? Que me perdoem os idealistas, mas o que esperar de uma juventude que está sendo formada em regimes de progressão continuada, impunidade e provas de reclassificação? Sim, eu sei que há exceções. Mas vamos aceitar o fato de que a grande maioria se preocupa muito mais em atualizar os álbuns de fotos nas redes sociais do que em fazer trabalhos escolares. Sendo assim, se houver oportunidade, a grande maioria dos alunos vai se fazer valer da situação e acabar entregando um trabalho que não fez.

E não se iludam! Também acontece nas universidades. Já tive alunos de pós-graduação com esse tipo de comportamento, e não foram tão poucos. Com mais idade, eles se sentem mais espertos e muitas vezes copiam um pedaço de cada lugar, entregando aquela linda colcha de retalhos como trabalho final. 
"Parabéns, querido aluno! Você acaba de conquistar o título de pós-graduado em Patchwork."

Então é preciso estar atento. 
A tecnologia está aí, e é ótima. Basta usá-la a nosso favor.
Se vai aceitar trabalhos feitos no computador, então crie situações que garantam a legitimidade: que a iniciação do trabalho seja feita em sala de aula com supervisão do professor, que seja feito algum debate sobre o tema do trabalho depois da entrega e por último, se for necessário, que o professor conte com a ajuda do grande "mestre Google" para verificar se há cópia.

Trabalhos feitos no computador são bem aceitos. 
Trabalhos feitos pelo computador, jamais!

São Paulo, segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Escolas exigem que alunos escrevam à mão  
Objetivo é evitar que, com o uso frequente do computador, no colégio e em casa, os estudantes percam a caligrafia e deixem de atentar para as normas cultas

Pesquisadora, entretanto, critica exigência, que encara como um retrocesso, já que diz que trabalhos manuscritos serão muito raros no futuro 







TALITA BEDINELLIDA REPORTAGEM LOCAL
Os livros e cadernos que Letícia Martins e Pedro Paulo dos Santos, ambos de 15 anos, levam na mochila ganharam em 2009 a companhia de um notebook. É no computador que eles anotam o conteúdo das aulas do colégio Sidarta (em Cotia, na Grande São Paulo).
Depois de sair da escola, os dois ainda acessam a internet para se comunicar com os amigos. O resultado é que escrevem cada vez menos à mão, assim como muitos de seus colegas.
Com medo de que os avanços tecnológicos façam com que os estudantes percam a caligrafia e deixem de atentar para as normas cultas da escrita, escolas particulares intensificaram a produção de redações e ainda pedem que a maioria dos trabalhos seja manuscrita.
No Santa Cruz (zona oeste de SP), por exemplo, os alunos até podem fazer o trabalho no computador, mas, antes de entregá-lo, devem transcrevê-lo à mão. É o que Alejandro Gabriel Miguelez, coordenador do curso de produção textual do colégio, chama de "passar a sujo".
"A expressão é uma brincadeira que faço com os alunos. Não abrimos mão do texto manuscrito, é preciso que eles pratiquem a caligrafia."
Apesar do duplo trabalho, ele conta que muitos estudantes preferem escrever primeiro no computador para usar corretores ortográficos eletrônicos.
Para evitar esses "truques", algumas escolas, como a PlayPen (zona oeste) e o Augusto Laranja (zona sul), até aceitam trabalhos feitos no computador. Mas só as versões finais, depois de vários rascunhos serem corrigidos pelo professor e de não sobrar nenhum erro.
Há escolas, no entanto, que discordam desses métodos. O Sidarta, que libera o computador nas aulas, acredita que há outras formas de evitar que a tecnologia atrapalhe o aprendizado. Quando as palavras são grifadas pelo Word, por exemplo, o professor pede que os alunos procurem a forma correta no dicionário.
A pesquisadora Cristiane Dias, do Laboratório de Estudos Urbanos da Unicamp, também critica a exigência de textos manuscritos. Ela acredita que, no futuro, escrever à mão será muito raro.
"Desde que a comunicação passou da oralidade para a escrita, ela foi se modificando. Quando a escrita era a pena, existia um tipo de caligrafia que não existe mais. É possível dizer que perdemos?", diz. "As próximas gerações não vão ter essa preocupação. Para que obrigá-los a voltar para trás?"
Izeti Fragata, coordenadora de português do colégio Bandeirantes (zona sul), argumenta: "Os alunos têm de ter letra legível. No vestibular, os corretores não vão fazer esforço para entender o que eles escreveram". Na escola, só trabalhos muito longos podem ser feitos no computador. Se um aluno entrega ao professor um trabalho com letra difícil de ler, tem de refazê-lo. Em provas, respostas ilegíveis são anuladas.

3 comentários:

Fatima Cardoso disse...

Acho um retrocesso,já que a letra cursiva não tem função social alguma!
Os professores que alimentam tal discussão ( trabalhos manuscritos)estão alimentando também suas próprias inseguranças na detenção do Poder.
Acho tudo isso uma perca de tempo.Vão dar boas aulas e consigam ter seus próprios laps....
uma Diretora/professora sem perder o respeito.

Juliana disse...

Acho um retrocesso uma "diretora/professora" vir aqui falar sobre tal questão nesses termos ("a letra cursiva não tem função social alguma!") e ainda por cima dizer que tudo isso é uma "PERCA de tempo"!. Estão vendo por que é que a gente precisa aprofundar essa questão, sair dessa superficialidade de "preocupação com a caligrafia" ou "certo e errado" na escrita dos alunos? Mais uma vez os educadores se mostram perdidos no meio de uma discussão tão relevante! A questão, parce óbvio, não é se os alunos vão escrever feio, "certo" ou "errado", mas, se os alunos, com tecnologia ou não, estão escrevendo COM QUALIDADE! E para não dizerem que caí na superficialidade de novo, me explico: em uma sociedade tão intensamente marcada pela imagem, pelo visual, como essa em que vivemos atualmente, cabe a nós professores resgatarmos a paixão dos nossos alunos pelas letras e pelo que, a partir delas, eles podem "criar", não apenas "copiar e colar". Para não prolongar demais esse comentário, ressalto também que não se trata de os professores tomarem partido dessa ou daquela postura (permitir ou proibir o uso da tecnologia), mas de se empenharem mais em "pesquisar", em investigar um uso que se dê de forma equilibrada na ação pedagógica em sala de aula, a qual, sabemos, não pode, pelo menos, ainda, se desfazer por completo dos recursos, digamos, "convencionais" utilizados na "arte de educar"!
Uma Pedagoga/Estudante em contínua formação.

PAULA disse...

Se a preocupação é caligrafia,o que fazer qdo estamos num ensino supletivo?ja tenho 40 anos com certeza minha caligrafia não tem mais o que melhorar,acredito que fazer é o mais importante,independente da maneira,aquele que realmente faz o trabalho mesmo sendo copiado e colado principamente de for resumido terá que se lido concordam?um trabalho feito por um grupo de 5 pessoas de forma manuscrita,será que as 5 pessoas vai saber discutir sobre o assunto?eu não concordo em trabalhos manuscritos para o ensino supletivo

Ana Paula Simoes